“O Matador”, primeiro longa brasileiro produzido pela Netflix, tem joias Isabella Blanco no figurino

A convite do diretor Marcelo Galvão ( “Colegas”, “Bellini e o Demônio”), a designer de joias Isabella Blanco assina as joias de “O Matador”, um faroeste brasileiro e o primeiro longa-metragem nacional produzido pelo serviço de vídeos sob demanda Netflix. O filme, que estréia hoje (10) no canal, participou da ultima edição do festival de Gramado, vencendo nas categoria trilha sonora e fotografia

 A historia se passa na Paraíba entre as décadas de 1910 e 1940, e faz um relato de Cabeleira, temido matador de Pernambuco que cresceu totalmente isolado da civilização,  criado pelo cangaceiro Sete Orelhas. Adulto, Cabeleira visita a cidade pela primeira vez e se depara com uma urbanização sem lei, dominada pelo francês Monsieur Blanchard, que é dono do mercado de pedras preciosas e antigo empregador de Sete Orelhas.

 Do elenco da produção–  filmado em São Paulo e no Nordeste -, participam Diogo Morgado (“O Filho De Deus”), Marat Descarte (“2 Coelhos”), Deto Montenegro (“A Despedida”), Maria de Medeiros (“Pulp Fiction”), Etienne Chicot (“O Código Da Vinci”) e Mel Lisboa, entre outros.

Uma das razões da escolha da designer para esse trabalho foi seu expertise em joias antigas e antiguidades em geral, além de sua vivência como pesquisadora. Como o filme se passa no começo do século XX e Isabella possui em seu ateliê mais de 300 joias criadas a partir de itens de época , boa parte das peças do filme já estava disponível. O que facilitou muito o trabalho de curadoria.

 

Piteira art déco e anel faca"

 Ao todo, 45 peças assinadas por Isabella – em ouro e prata - foram cedidas para as filmagens. Desse universo, 15 foram confeccionadas especialmente para os principais personagens, como a piteira de Madame Blanchard, papel da portuguesa Maria de Medeiros. “Possuía, em meu acervo, uma piteira de bakelite art déco, anos 1930,  à qual adaptei outra piteira antiga, esta de metal, já que Marcelo queria algo exagerado, para melhor efeito cenográfico”, revela a designer. Esta peça foi feita em prata com banho de ouro amarelo 18k, rubis e turmalina rosa.

 O anel “faca” pertence ao figurino do Cabeleira, personagem principal, e é a joia com maior destaque no longa-metragem e foi criado a partir de chifre de búfalo e prata oxidada. “Me foi pedido a confecção de dois exemplares idênticos, já que a joia poderia se danificar durante as filmagens pelo excesso de cenas”, explica a designer.

 Do período vitoriano veio a motivação para o colar de Pierre, filho dos casal Blanchard, cujo figurino abusa da estética gótica. “Desenhei um colar enorme de seis voltas, tipo jabot, e utilizei correntes de prata oxidada intercaladas com pedras antigas como jet, lavas vulcânica e ônix”, detalha Isabella. Pierre também usou um crucifixo vitoriano em vulcanite e um maxianel de ouro, onix e diamante, que aparecem bastante no filme.

 Porém, o maior desafio da designer foi adaptar uma caveira de lápis lázuli no castão de uma bengala antiga, usada por Monsieur Blanchard, o personagem mais poderoso do filme.  “Por Monsieur Blanchard controlar todo o mercado de pedras preciosas, Marcelo me pediu algo que mostrasse poder e, ao mesmo tempo, fosse macabro. Pensei nesta caveira com os olhos de Turmalinas Paraíba e, no topo da cabeça, uma pedra de proporções gigantescas em cravação “cálice”, como um grande solitário”, finaliza a designer.

 

 

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